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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O fim do "cheirinho"... mas a que custo?

Quando Eduardo Bandeira de Mello passou o bastão da presidência do Flamengo para Rodolfo Landim, o fez com a seguinte missão: transformar o agora exemplo de boa gestão em uma máquina de títulos. E assim Landim o fez. 2019 entrou para a história como o ano mais vitorioso da vida do Clube de Regatas do Flamengo. O "cheirinho" acabou... mas a que custo?


Faltam dois dias para a maior tragédia da história do Flamengo completar um ano. No dia 8 de fevereiro do ano passado, 10 crianças, que tinham o sonho de vestir a camisa rubro-negra profissionalmente, sob os cuidados do clube, foram mortas por um incêndio que, até hoje, segue sem respostas ou culpados.

Um ano se passou. Há 363 dias 10 famílias buscam respostas, justiça e a paz de espírito de saber que a morte prematura de seus filhos não foi em vão. Procuram o direito mínimo de preservar a dignidade das crianças, que, em busca dos seus sonhos, tiveram os mesmos despedaçados prematuramente. No entanto, como colocou o pai de Pablo Henrique, uma das vítimas do incêndio do Ninho, "justiça para pobre vira as costas".

O que temos visto da nova direção do Flamengo, a respeito da maior tragédia do clube, é uma total falta de transparência com a população, e de sensibilidade e empatia com todos os envolvidos no acidente. Das 10 famílias envolvidas na tragédia, apenas três fizeram, até o momento, acordo de indenização com o clube. Acordo este, que não pode ser divulgado pelas famílias, sob pena de multa de 500 mil reais.

As outras sete famílias que tiveram seu mundo despedaçado num piscar de olhos ainda seguem em busca de uma solução. Seguem, segundo elas, praticamente sozinhas, pois afirmam que o Flamengo não as procura e se esquiva de tentativas de diálogo. Esta foi a razão que levou a mãe de Rykelmo entrar na justiça contra o clube, pedindo quase 7 milhões de reais de indenização.

Um dos maiores motivos que fizeram o Flamengo mudar de patamar e conquistar os títulos de 2019 foi a gestão profissional e empresarial que o clube vem tendo desde 2013. Porém, os dirigentes rubro-negros não podem esquecer que o Flamengo não é uma empresa, e sim um clube, que alimenta a paixão de mais de 40 milhões de torcedores.

Semana passada, a FlaTV, veículo de comunicação do clube, fez uma entrevista com o presidente Rodolfo Landim, o vice geral e jurídico, Rodrigo Dunshee, e o CEO do clube, Reinaldo Belotti. Nela, os cartolas respondem perguntas que eles mesmo pensaram e bolaram a respeito da situação atual dos acordos com as famílias envolvidas no incêndio de quase um ano atrás, com a premissa de estarem sendo transparentes.

Quando vi essa entrevista, só consegui lembrar da mesma tentativa da Vale, que recentemente comprou espaço comercial em emissoras abertas e fechadas para dar explicações sobre as tragédias de Mariana e Brumadinho. Um verdadeiro absurdo. O Flamengo se comporta como uma empresa privada, que foge das perguntas feitas pela imprensa e se protege atrás de todo o seu poderio financeiro, para arrastar os processos por anos e anos, por saber que as famílias não têm condições de manter a luta por tanto tempo.

Relembremos então a frase do pai do Pablo Henrique: "justiça para pobre vira as costas." Afinal, o pobre não tem condição de esperar anos, talvez décadas para saber o resultado de um processo. Mas o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, tem. E tem, inclusive, experiência no assunto. Foi ele que lutou, por mais de dois anos, por um processo em que pedia mais de 270 milhões de dólares contra seu ex-sócio, Eike Batista.

O incêndio no Ninho do Urubu vai completar um ano, e mesmo assim está longe de ter um desfecho. E se não bastasse isso, o Flamengo tem agora planos de comprar os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de seus detentores, o Grupo Globo, para fazer sua própria transmissão, pela FlaTV. Caso isso aconteça, poderemos dizer adeus às transmissões imparciais e críticas dos jogos do clube, que no momento priva seu torcedor de assistir aos jogos do Campeonato Carioca pela televisão.

São atitudes que insultam seus mais de 40 milhões de torcedores ao redor do mundo e ferem o nome da instituição, que em pouco mais de um ano de gestão vem se transformando em uma empresa. E, como sabemos, empresas prestam contas apenas aos seus acionistas, e não a quem servem ou deveriam servir.


Alexandre Corrêa.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo retorno! Sábias palavras! Como rubro-negro, fico envergonhado com essa atitude da diretoria do clube! Lamentável!

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