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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Fred e Guerrero: a prova de que o 9 não pode morrer

Um não jogava há nove meses. O outro passou 2018 quase inteiro lesionado. Um marcou dois na vitória crucial do Inter na noite de ontem. O outro marcou três hoje pelo Cruzeiro. Os dois têm 35 anos de idade. Paolo Guerrero e Fred são, infelizmente, uns dos últimos camisas 9 que ainda temos no futebol brasileiro. E já beirando os 40, ainda conseguem mostrar como a função, quando desempenhada com perfeição, é parte essencial de qualquer esquema de futebol.

Futebol brasileiro que hoje tem os holofotes apontados para Flamengo e Palmeiras. Enquanto os dois ainda têm dificuldades em definir o dono do ataque, Cruzeiro e Inter vêm dando show na Libertadores com dois nomes conhecidos nacionalmente, querendo mais é que esses holofotes se mantenham longe deles. A capacidade dos dois em decidir para suas equipes é inquestionável, ainda mais com a idade avançada que possuem. Por que então essa função de camisa 9, que joga de costas para a defesa, fazendo o trabalho de pivô vem sumindo a cada dia que passa?

É verdade que o futebol mudou, ficou mais físico, mais rápido e dinâmico nas últimas décadas. Mas exatamente por ter se tornado mais físico, que a presença de um jogador mais robusto continua sendo requisitada pelos treinadores. Não é à toa que nomes bastante velhos como Fred, Guerrero, Ricardo Oliveira e Maxi López sejam protagonistas nos times que jogam, o que mostra que o problema vem de baixo.

Não se formam mais camisas 9 como antigamente. Hoje, o que mais se revela no Brasil é jogador "agudo", de lado de campo, com explosão e velocidade. Nada contra, afinal são eles que estão sendo vendidos aos montes para a Europa antes mesmo de completarem duas décadas de vida. Mas se os times daqui claramente ainda apreciam o centroavante de referência, por que não surgem tantos nomes como para as outras posições? É o desafio que os clubes têm pela frente: ou começam a produzir novos jogadores com as características que claramente ainda fazem parte dos planos dos treinadores, ou então dependerão dos Guerreros, Freds e Ricardos da vida, que, apesar de fenomenais, ainda não aprenderam a rejuvenescer.


Alexandre Corrêa.

Um comentário:

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