Começou a corrida pela glória eterna de 2021. Para os gremistas, já começou e terminou, depois da eliminação precoce para o Independiente Del Valle, que inclusive custou o cargo de Renato Gaúcho. Mas, para o restante dos brasileiros, é só o começo. E esse ano a Libertadores está com um gosto diferente.
Há mais ou menos três anos escrevi o texto que até hoje teve o maior número de acesso aqui do blog. Foi quando o Cruzeiro perdeu para o Boca na Libertadores de 2018, após uma expulsão do Dedé que beirou a os limites da insanidade. Na ocasião, o time mineiro perdeu por 2 a 0 para o Boca Juniors no jogo de ida das quartas de final da competição. No jogo de volta, não conseguiu melhor que um 1 a 1 e foi eliminado.
No dia seguinte da derrota na Bombonera, escrevi falando sobre o peso que as camisas brasileiras tinham na Libertadores. Ou pensavam que tinham, pelo menos. Falei como os times brasileiros eram tratados como bobos da corte no circo que era feito em volta deles na competição, sempre sofrendo com arbitragens tendenciosas e má fé da Conmebol.
Hoje, após dois títulos seguidos de times brasileiros, a Libertadores começou sim diferente para nós. Mas ainda está longe de ter o respeito que a camisa 5 vezes campeã do mundo merece. E a prova disso é o que a Conmebol fez nas semifinais da edição anterior: Quando se enfrentavam Santos e Boca em uma semifinal e Palmeiras e River na outra, a Conmebol cravou através de uma charge que a final seria argentina. Quebrou a cara e viu os dois brasileiros eliminando os hermanos e disputando a final brasileira em solo brasileiro.
Um ano antes, foi o Flamengo que desbancou os argentinos, vencendo o River na final. Se isso ainda não foi suficiente para a Conmebol respeitar um pouco mais os clubes brasileiros, não foi o caso para os clubes argentinos, que parecem ter aprendido a lição.
O Vélez mudou todo o esquema tático para enfrentar o Flamengo. Colocou três zagueiros e jogou recuado, mesmo atuando dentro de casa. O River, ontem contra o Fluminense, até teve mais a posse de bola, mas viu um tricolor ousado e que teve as melhores chances para sair do Maracanã com a vitória.
O atual campeão, Palmeiras, foi ao Peru e, mesmo com um a menos venceu o Universitario, por 3 a 2, e foi outro brasileiro estreando com vitória na competição. Contudo, ficou longe de agradar o seu torcedor como fez o São Paulo, que, com os 3 a 0 que meteu no Sporting Cristal, confirmou o melhor início de temporada desde 2005, quando foi campeão mundial. Coincidência? Vamos esperar para ver.
Se por um lado teve muito brasileiro se dando bem, tiveram três que ficaram muito abaixo na estreia. Foi o caso de Inter, Santos e Atlético. O primeiro, não se preparou e perdeu fora de casa para o Always Ready, da Bolívia, por 2 a 0. O Santos recebeu o Barcelona do Equador e também perdeu por 2 a 0. Esses dois clubes são treinados pelos estrangeiros Ariel Holan e Miguel Ángel Ramirez.
O Galo, por sua vez, evitou a derrota. Foi enfrentar o fraco time do Deportivo La Guaira fora de casa e saiu com um melancólico 1 a 1 debaixo dos braços. Mesmo pontuando, o time de Cuca ainda está longe de jogar o futebol que o elenco tem potencial. Mais um caso de clube brasileiro insistindo em mentalidades de trabalho ultrapassada, mesmo tendo uma Ferrari nas mãos.
A Libertadores começou. E os clubes brasileiros, depois das conquistas recentes, estão sendo enfrentados pelos rivais estrangeiros com um pouco mais de receio do que estávamos acostumados. Se serão capazes de aproveitar isso, só saberemos nos próximos meses. Só então vamos ver se a Libertadores que começou diferente vai também terminar diferente.
Alexandre Corrêa.

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