Renato Gaúcho não é mais o técnico do Grêmio. O treinador que estava há mais tempo à frente de um clube no futebol brasileiro pediu demissão do cargo após a derrota e consequente eliminação do tricolor gaúcho da Taça Libertadores de 2021 - O Grêmio perdeu as duas partidas para o Independiente Del Valle por 2 a 1. Mas o que essa longa trajetória, que se encerra tragicamente, pode e deve ensinar ao futebol brasileiro?
O primeiro ponto a ser comentado e aplaudido de pé é justamente o fato dessa trajetória ter durado mais de quatro anos. Sim, foi a terceira passagem de Renato como técnico do clube do qual é um, se não o maior ídolo. E foi justamente na mais longa que conseguiu o maior sucesso.
Foram quatro anos e meio de trabalho. Nesse período, o Grêmio de Renato conquistou três estaduais (2018, 2019 e 2020), uma Copa do Brasil (2016), uma Libertadores (2017), uma Recopa Sul-Americana (2018) e uma Recopa Gaúcha (2019). Mas então o que aconteceu? Quais foram as razões que levaram a personalidade forte de Renato a pedir demissão após a eliminação precoce da equipe da Libertadores?
Para responder essa questão, precisamos fazer uma análise minuciosa do seu trabalho desde o começo. Antes de ter a volta de um dos seus maiores ídolos, o Grêmio era comandado por Roger Machado, que assumiu a equipe após a saída de outro nome de peso: o de Felipão. Para quem não lembra, foi Roger que iniciou o processo de mudança de estilo de jogo na equipe gaúcha: tirou a previsibilidade e ancestralidade de seu antecessor e implementou uma filosofia ofensiva, de variação tática e principalmente velocidade.
O Grêmio de Roger inovou e deu uma luz no fim do túnel ao torcedor gremista. Porém, sabemos como no Brasil uma filosofia de jogo só funciona se tiver resultado. E foi justamente isso que Roger não teve no Grêmio, o que resultou em sua saída em setembro de 2016.
Quando chegou para assumir como treinador, o Renato de 2016 é muito diferente do que está aí hoje, em 2021. Era um Renato já desacreditado, com poucos trabalhos notáveis como treinador e precisando urgentemente de um sucesso para se relançar no futebol. É aí que entrou em campo a sua a genialidade e percepção.
Utilizando exatamente esse discurso de "ninguém mais acredita em nós", ele conseguiu extrair algo que realmente nenhuma pessoa imaginava que seria possível de jogadores como Léo Moura, Cortês, Maicon, Fernandinho, Cícero e Edílson. Esses medalhões, juntamente com jovens da base com sede de sucesso, como Arthur e Luan, foram a base que fizeram o Grêmio de Renato alcançar a glória eterna em 2017.
É então que começam os problemas. Junte uma personalidade forte com títulos expressivo e você terá.... Soberba, Arrogância e, principalmente, acomodação. Entre 2018 e 2020, Renato ganhou um gaúchão, se gabou de ter o melhor futebol do Brasil e tentou novamente recuperar jogadores que estavam desacreditados no mercado (o caso mais recente foi o de Thiago Neves).
Só que ele se esqueceu de um fator importante na sua fórmula de sucesso: o fator de incentivo e de necessidade de provar algo que deu ao seus jogadores em 2017. Foi então que Renato parou no tempo. Parou e viu seu time ser goleado duas vezes em fases finais da Libertadores, não chegar nem perto de disputar o título do campeonato brasileiro e perder o posto que alguns o deram de "melhor treinador do país".
Afinal, o que nos diz a saída de Renato? Nos diz que a solução está mesmo em técnicos estrangeiros, como fizeram Flamengo, Palmeiras e agora o Inter? Talvez. Mas essa é uma solução rasa para um problema fundo. Acho que a principal lição que o futebol brasileiro tem que aprender com isso é que a indústria está mudando rapidamente. E, enquanto clubes de ponta ainda insistirem em nomes do passado que se recusam a viver o presente e a se preparar para o futuro, como Renato e Wanderlei Luxemburgo, não só comprometem a si mesmos como também o futebol brasileiro como um todo, que segue em busca de mudanças.

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