Que o Campeonato Carioca pouco vale todos já sabem. Mas ele serve pro torcedor ter uma ideia do que esperar para o restante da temporada. E o que se está vendo não está agradando. Na verdade, não está nem perto de agradar. Estamos há 32 dias em 2019. E nesse período, o Botafogo já entrou em campo em cinco jogos oficiais, sem obter uma única vitória. Foi apenas um ponto conquistado dos 12 disputados. A seis dias da estreia na Sulamericana, o torcedor tá coçando a cabeça. E ao que tudo indica, essa coceira tá longe de ir embora.
O Botafogo de 2019 é aquele carro velho, sem potência, que precisa de peças novas desde a carroceria até o fio que liga o motor. E o que fazer quando não há dinheiro para as peças novas? Zé Ricardo ainda não achou a resposta. E a torcida, que já começou o ano cheia de incertezas, a cada dia que passa vai ficando cada vez mais cabisbaixa, pela falta de melhoras que se vê jogo após jogo.
Sem Léo Valência, o único meia criativo que esse elenco tem, o alvinegro fica refém das bolas alçadas e das jogadas individuais pelos lados do campo, principalmente com Erik. Essas jogadas, porém, nem sempre funcionam, e o Botafogo fica sem ameaçar o gol adversário.
Ontem Zé Ricardo colocou três volantes. O Resende se fechou, fazendo sua marcação a partir da sua intermediária defensiva, obrigando o Bota a fazer chuveirinhos ou tentar algo pelos lados, pois o meio estava muito congestionado. E como a sorte não está do lado alvinegro nesse começo de temporada, mesmo quando a equipe conseguia chegar, pecava nas finalizações. O Resende, cirúrgico, abriu o placar num contra-ataque e se fechou por completo.
Com 1 a 0 no placar, foi um Deus nos acuda. A torcida parou de apoiar, os jogadores ficaram ansiosos, querendo o gol a qualquer custo, e o goleiro do Resende não foi mais obrigado a trabalhar. No final, mais vaias ao elenco, coisa que vem se tornando rotina nesse ano.
É o pior início de temporada do século do Botafogo, e isso não é pouca coisa. Nos últimos dias, o nome de Cícero, ex-Flu e ex-Grêmio, vem ganhando força em General Severiano. Caso seja contratado, é uma ajuda para esse meio de campo, que pouco ou nada cria. Vai caber ao Zé Ricardo, porém, fazer essa peça render o que pode, coisa que só Renato Gaúcho conseguiu nos últimos anos de carreira do meia. O Botafogo tem que ir às compras. E se não há dinheiro para peças novas, que vá ao feirão de usados. É melhor apertar o cinto, torcedor, pois se tem uma luz no fim do túnel, tá difícil de enxergar nesse momento.
Alexandre Corrêa.
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