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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O Ilusionista

Venderam uma imagem do São Paulo que não era real. Foi um vexame cair na Pré-Libertadores? Foi. Ainda mais jogando o futebol apresentado nos dois jogos. Mas foi mais vexame pela expectativa exagerada criada em cima de um elenco que é, no máximo, razoável para bom. Mesmo com as chegadas de Pablo e Hernanes, esse time do São Paulo ainda não fica à altura de Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro.



Por que então foi vendida essa imagem equivocada da equipe? E quando isso ocorreu? Se você acha que aconteceu agora em janeiro, está enganado. Aconteceu quando, de maneira inexplicável, foi anunciada a demissão de Aguirre, faltando cinco rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro. Todos se lembram da campanha tricolor no Brasileirão de 2018. Começo ruim com Dorival e arrancada e liderança com o uruguaio.

Aguirre quando assumiu, percebeu o que tinha que fazer com os jogadores que tinha à disposição. Jogar fechado, compacto e saindo em velocidade para contra-atacar. Esse estilo de jogo até colocou Nenê, antes intocável, no banco de reservas. O time foi vencendo, aos trancos e barrancos, e liderou o campeonato por quase meio turno.

Mas o elenco sempre foi deficiente, por não ter peças de reposição em vários setores. Então, quando as lesões começaram a aparecer e as opções foram diminuindo, o rendimento caiu. E a culpa foi para cima do treinador, que passou a ser criticado pelo estilo de jogo "muito defensivo". A solução encontrada por Raí foi mandar embora o homem que arrumou um jeito de fazer aquele time fraco ganhar, para colocar alguém que fizesse o São Paulo jogar novamente como "time grande". Esse foi seu primeiro erro.

O segundo, que acabou se mostrando ser o fatal na noite de ontem, foi apostar no jovem e inexperiente André Jardine, prata da casa, multicampeão pelas categorias de base do clube. Raí pensou que, por ter experiência e um estilo de jogo ofensivo na base, Jardine conseguiria implementar o mesmo estilo no profissional. Só se esqueceu dos jogadores que tinha no profissional.

A resposta no Brasileiro não apareceu, e o São Paulo quase ficou de fora da Libertadores. Então, com a pré temporada para preparar a equipe e com as chegadas de Hernanes e Pablo, Jardine teve a missão de fazer esse time jogar bonito. Obviamente não conseguiu. O que se viu na soma dos 180 minutos do confronto com o Talleres foi uma equipe completamente desarrumada, sem criatividade e refém de bolas alçadas para a área, na esperança de Pablo ou Diego Souza resolverem.

Agora, com a eliminação precoce, o tricolor tem ainda a Copa do Brasil e o Brasileiro para tentar salvar o ano. Mas para isso, deve entender o time que tem nas mãos e definir uma estratégia compatível com os jogadores disponíveis. Se quer jogar bonito e ofensivo, precisa ir ao mercado. Mas precisa parar de iludir seu torcedor achando que a mística da camisa vai fazer quem a vestir jogar no nível que esse clube merece.



Alexandre Corrêa.

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