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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Ganso no Flu: um tiro no próprio pé

A escolha de Fernando Diniz sobre Jair Ventura para assumir o comando do Flu já foi alvo de muita contestação nas Laranjeiras. Agora, a cúpula tricolor, para dar uma resposta ao torcedor, busca um nome de peso para assumir a camisa 10. Os cotados da vez são Nenê, que terminou 2018 insatisfeito com a reserva no São Paulo, e Paulo Henrique Ganso, atualmente jogando no fraco Amiens, da França.




As dúvidas a respeito de Fernando Diniz não são acerca da sua capacidade como treinador. O "x" da questão está em cima do seu estilo de jogo, que se caracterizou pela retenção da posse de bola e de muita troca de passe na construção das jogadas. Como dito anteriormente, com os jogadores à disposição que o Fluminense tem no momento, esse estilo de jogo pode não dar certo, como foi o caso do último trabalho de Diniz, no Athlético Paranaense.

Agora falando da possível contratação do Ganso, estamos falando de um jogador que foi muito bem no Santos, mediano no São Paulo, pífio no Sevilla e reserva quase não utilizado na França. Podemos colocar o declínio técnico na conta das diversas lesões que atrapalharam seu desenvolvimento, mas se o Flu está indo atrás de um jogador como ele, deveria olhar para as suas últimas temporadas.

Ganso trabalhou com Sampaoli no Sevilla. O técnico argentino também tem um estilo de jogo dinâmico, de muita movimentação dos seus jogadores e que gosta de jogar com a bola, como Fernando Diniz. Lá, depois de chegar do São Paulo, Ganso não agradou, muito pela sua pouca mobilidade e passividade em campo. Depois de muito tempo sem jogar, foi parar no fraco Amiens, da França.

Lá, ele encontrou uma realidade diferente da que estava acostumado: jogar em uma equipe que tem como característica o jogo defensivo com transição rápida para o contra-ataque. Como nunca foi um jogador que faz recomposição defensiva e que consegue chegar com velocidade ao ataque, a grande contratação virou logo reserva e quase não jogou mais.

O Flu de 2018 tem o mesmo estilo de jogo do Amiens: jogava fechado e tentava sair rápido nos contra-ataques para chegar ao gol adversário. Foi jogando dessa maneira que conseguiu escapar do rebaixamento e chegar à semifinal da Sul-Americana. Ganso, por mais técnica que possa ter, não encaixa nesse time, assim como não encaixou na França. E tentar mudar o estilo dessa equipe, como parece ser a ideia de Fernando Diniz, com os jogadores que o Flu tem no momento, pode ser um tiro no próprio pé.


Alexandre Corrêa.

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