Quando falamos de Santos, lembramos de Pelé e Pepe, Robinho e Diego, e, mais recentemente, Neymar e Ganso. Esse é o "DNA Santista": futebol alegre, pra frente, com posse de bola e que envolve o adversário. Foi esse o bode expiatório que a diretoria utilizou para demitir Jair Ventura, depois de deixá-lo um mês treinando durante a Copa do Mundo: o time não jogava com o "DNA Santista".
O Santos então vai ao mercado em busca de um novo treinador, um que possa dar ao torcedor e sua diretoria um futebol alegre, pra frente, com posse de bola e que envolva o adversário, certo? Pelo nome que contrataram, parece que não. Se esse é o perfil de treinador que os dirigentes buscavam, a chegada de Cuca vai totalmente na contramão. Seus últimos trabalhos ficaram marcados pelo "Cucabol": um futebol muito disciplinado defensivamente, com jogadas de bola parada muito fortes.
O Santos, com o elenco que tem, pode se beneficiar com esse estilo de jogo. Mas então que seus dirigentes sejam coerentes na hora de dar satisfação aos seus torcedores. Se mandam um treinador retranqueiro embora por ele não conseguir mostrar o dito "DNA Santista", que não contratem outro que tem características semelhantes. Ou então que mudem o discurso e apresentem outra razão para a mudança de comando.
Na estreia, ontem, diante do Cruzeiro, que também joga fechado quando atua fora de casa, Cuca já pôde ver o imenso trabalho que terá pela frente. Não só para conseguir resultados, mas para fazer esse time jogar do jeito que seus dirigentes querem, ou pelo menos dizem querer. Enquanto o que for mais importante não ficar definido, boa sorte ao Cuca, que vai ter que quebrar a cabeça.
Alexandre Corrêa
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