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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Receita de Bolo

Duas rodadas se passaram desde a volta do Brasileirão. Com elas, três técnicos perderam seus empregos. Jair Ventura, Ricardo Drubscky e ontem, Roger Machado. Duas delas chamam muita atenção, e por todos os motivos ruins possíveis.


Jair e Roger estavam muito pressionados antes da Copa do Mundo. O jogo contra o Flu, no Maracanã, era a última chance de Jair se manter no clube para a parada do Mundial. O Santos foi ao Rio de Janeiro e venceu por 1 a 0. Jair mantido no posto com direito a um mês para trabalhar e melhorar a equipe. No Palmeiras, o último jogo antes da parada foi contra o Flamengo, em casa. Empate em 1 a 1, com direito a expulsões e confusão no final da partida. O resultado foi o mesmo: Roger mantido com direito a um mês para trabalhar e melhorar a equipe.

Volta o Brasileirão. O Santos empata um clássico contra o próprio Palmeiras e depois arranca mais um empate fora de casa, contra a Chapecoense. Jair Ventura é demitido. No Verdão, Roger ganha do Atlético-MG dentro de casa e depois perde para o Fluminense no Maracanã, antes de também ser demitido. Resultados comuns que custaram os empregos dos treinadores. O que as diretorias esperavam ao manter os dois antes da parada para a Copa? É muito fácil mandar embora depois de duas derrotas: chega alguém novo, dá uma chacoalhada no time e as vitórias aparecem. Aí a fase ruim volta e os dirigentes não sabem o porquê.

Se a manutenção dependesse apenas dos primeiros resultados pós Mundial, era melhor ter tirado os dois antes da competição, para dar tempo ao substituto de conhecer sua equipe e montar um esquema adequado. Não fizeram. Preferiram "confiar" nos seus treinadores para, após duas e três rodadas, com resultados completamente comuns, demitir e jogar todo o trabalho feito durante a Copa no lixo.

Agora vamos ao caso "Ricardo Drubscky". O América, ao contrário de Santos e Palmeiras, perdeu seu treinador durante a Copa. Enderson Moreira deixou o clube para assumir o Bahia. Para o seu lugar, Ricardo, que já estava no clube, assumiu e teve um mês para preparar a equipe. Na volta da Copa, derrota fora de casa contra o Cruzeiro, em um jogo que o Coelho até teve chances de vencer, e outra derrota fora de casa, dessa vez para o Paraná. Resultado? Ricardo Drubscky demitido.

Não há dúvida que as gestões de hoje são muito melhores do que as de anos atrás. "Gestão" para administrar o dia a dia do clube. Na hora de gerir o Futebol, as diretorias são as mesmas de dez, vinte anos atrás: imediatistas, sem conhecimento algum do que leva um time de futebol ao sucesso. Não é dar um, dois, três meses de trabalho que de repente vai surgir um time campeão. A receita de bolo, ao contrário do que pensam os dirigentes, é a continuidade. Bastou o Corinthians manter o Tite depois daquele fiasco contra o Tolima que o clube se tornou uma potência dentro de campo.

Se o Timão tivesse mandado embora, como queria a imprensa, muito provavelmente a história seria outra. Imprensa essa que bota pressão para demitir, mas que é a primeira a criticar quando de fato acontece. Basta ver os programas esportivos durante a semana: "Fulano perdeu mais uma e agora está por um fio no cargo." Aí demitem o cara e no dia seguinte, no mesmo programa, o apresentador vai e critica o clube e essa "cultura" de demitir técnicos que temos no Brasil.

Temos muito a melhorar. Mas enquanto esse ciclo vicioso de "vai cair", que a imprensa adora para conseguir dar furo, e "agora vai", que as diretorias fazem projetos de duas a três rodadas de duração continuar, daqui a pouco teremos mais técnicos demitidos do que rodadas no Campeonato Brasileiro.









Alexandre Corrêa

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