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segunda-feira, 16 de julho de 2018

A Copa menos Copa de todas

Acabou. Durante o último mês o mundo parou para ver a Copa do Mundo. E agora que chegou ao fim, dá para dizer que foi a Copa menos Copa dos últimos tempos. E isso não é necessariamente algo ruim, muito pelo contrário.


Desde o âmbito esportivo até todo o resto que engloba a Copa do Mundo, essa edição conseguiu ser a que mais quebrou paradigmas, em todos os sentidos e direções possíveis. Foi a primeira na Rússia, um país famoso por sua legislação e modo de vida conservador, mas que deu um show de tolerância e de como colocar sua diferença ideológica de lado para receber o resto do planeta. Que torceu e comemorou o gol marcado pelo brasileiro naturalizado russo, Mário Fernandes, que quase levou o time para as semifinais.



Foi a Copa que mostrou como o futebol é imprevisível. Os donos da casa chegaram ao torneio completamente desacreditados, sem conseguir vencer uma partida oficial desde setembro do ano anterior. Aí começou o torneio, as vitórias apareceram e, depois da vitória nos pênaltis contra os espanhóis, o que era apenas um sonho distante se tornou realidade no coração desse povo, que tem tantas histórias de superação na bagagem. No fim, uma tristeza com a eliminação nas quartas de final muito maior do que qualquer russo podia imaginar antes da bola rolar pela primeira vez, na partida contra a Arábia Saudita.



Quem esperava uma Copa previsível onde as maiores seleções se encontrariam nas fases finais se decepcionou. 2018 foi o ano onde o peso da camisa não significou muita coisa, com países como Bélgica e Croácia chegando até as fases finais do torneio. Croácia, que por sinal ainda nem era Croácia quando alguns dos jogadores nasceram. Um país jovem marcado pela guerra que se uniu para torcer por um título inédito. Aqueles que apostaram em Alemanha, Espanha e Brasil não chegaram perto. Nossos algozes de 2014 nem da fase de grupos saíram, enquanto que os campeões de 2010 caíram exatamente para os anfitriões.



Foi a Copa da miscigenação, com uma seleção que dos 11 titulares da final, oito tinham origens estrangeiras, em sua grande maioria, da África. A França também chegou cheia de incógnitas para o campeonato, principalmente em relação ao treinador, Didier Dechamps, que teve que conviver com a sombra do maior ídolo da história francesa, Zinedine Zidane, desde que este resolveu deixar o comando do Real Madrid. Foi ali, quietinha, ganhando seus jogos, até que a vitória sobre os uruguaios nas quartas finalmente a colocou no radar dos adversários. O resto é história.



Não tem como falar de miscigenação e não falar da Bélgica. Um país que, com três línguas oficiais, prefere se comunicar em inglês dentro de campo para não ter confusão. Um país que também tem histórico de conflitos internos, mas que se uniu e teve seu maior desempenho na história das Copas: um terceiro lugar com direito a passar pela badalada seleção brasileira. Colocação conquistada muito em função de seu camisa 9, que também tem origens africanas e uma baita história de vida. Finalmente a tal "geração belga" veio e deu gosto de ver.



Foi a Copa do V.A.R. Antes da bola rolar, muita gente tinha dúvida se esse tal de "var" ia ser mesmo uma boa adição. Agora que acabou, não há dúvidas que a tecnologia tem que ser implementada também no futebol. Todos os grandes esportes do mundo já se utilizavam dela, apenas nós, os "diferentões" que gostam de aparecer dizíamos "não" para esse artifício. Demorou, mas ainda bem que chegou.



Pra fechar, essa Copa serviu pra mostrar que graças a Deus existe o futebol. E graças a Deus que as coisas nem sempre acontecem como todo mundo pensa que vão acontecer. E que agora, estamos órfãos de novo pelos próximos três anos e 11 meses. Até 2022, Copa, sua linda, nos vemos no Catar.

Alexandre Corrêa



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